Biotecnologia e agricultura rumo à sustentabilidade
O conceito de
biotecnologia tem sido utilizado de diversas formas. É possível, por exemplo.
Conceitua-la a partir de suas características técnicas, do seu papel no
desenvolvimento do conhecimento científico e tecnológico, ou de seu potencial
para o desenvolvimento da economia. A biotecnologia, para Clark & Juma
(1991), como também ser apresentada como um conjunto de ideias que serve como
suporte a pesquisas em diferentes áreas de conhecimento. Enquanto conjunto de
técnicas advindas de outras áreas, a biotecnologia não pode ser entendida como
uma área autônoma do conhecimento, pois compreende uma gama de fundamentos:
normas , valores, ética e ambientais. Para os autores a biotecnologia
presume-se em um grande número de técnicas com potencial para causar impactos
difusos ou sistêmicos na economia. A biotecnologia possui ainda um caráter
bipolar, ou seja, de um lado provoca descontinuidade e por outro é acumulativa,
no que adiciona ao estoque de conhecimento e recursos disponíveis. O problema
maior encontrado na definição é que a utilização de qualquer um deles não nos
fornece uma forma prática para a abordagem do assunto, uma vez que os trabalhos
de pesquisa e de produção biotecnológica desenvolvida hoje no mundo inteiro
utilizam-se das mais diversas técnicas da biologia. Portanto a classificação
que nos parece mais adequada, presente em grande parte dos trabalhos
acadêmicos, é o que envolve o termo biotecnologia dividido em três níveis de
sofisticação tecnológico, de acordo com Sales (1987) em: tradicional, intermediária
e de ponta.
A busca incessante por
uma vida melhor tem levado o homem a enveredar pelo campo do conhecimento
científico de forma uma forma ilimitada. A genética, após a descoberta de Mendel
passou por transformações abruptas no decorrer das décadas. A engenharia
genética vem ganhando um destaque dentro do campo da ciência, na economia e
política. Isso tem acontecido em decorrência do enorme potencial de
transformação nos mais diversos campos da humanidade. Os Organismos
Geneticamente Modificados (OGMs), tem sido, nos últimos dias, palco de muitas
especulações, equívocos e acertos. Os transgênicos, que na verdade são OGMs,
tem aparecido com maior freqüência na vida de muitas pessoas nos mais distantes
países do globo terrestre. Isso tem feito com que os pesquisadores se debrucem
sobre os seus instrumentos de pesquisa para que possam produzir um conhecimento
mais seguro e assim, apresentarem uma melhor aceitação.
Benefícios-
como exemplos dos principais benefícios advindos da utilização dos
transgênicos, tem-se:
•
Aumento da produtividade das colheitas- algo ainda bastante discutido pelas
mais diversas camadas dos cientistas. Porém a análise de alguns casos mostra
que os OGMs produzem mais que os convencionais. Um caso interessante a ser
destacado é foi o trabalho desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (EMBRAPA), foi introduzido no feijão um gene do vírus responsável
pelas viroses que prejudicavam, a lavoura levando a uma redução de 40% a 60% da
produção. Dessa forma, pode-se obter até 100% da produção, dependendo do
período do cultivo em que ocorre a infestação.
• Tolerância das plantas a condições
adversas de solo e clima- O estresse provocado por défcit hídrico, alta
concentração salina nos solos e baixas temperaturas vem sendo alvo de diversos
estudos. Determinados genes foram introduzidos em plantas de soja e de trigo
com a finalidade de obter maior tolerância ao défcit hídrico. Uma pesquisa da
Universidade Federal de Viçosa (MG) mostrou que a expressão de um gene isolado
da soja, em plantas transgênicas de fumo, foi capaz de conferir tolerância à
falta de irrigação por até quatro semanas. O mesmo gene agora está sendo
testado em leguminosas como soja, feijão. Isto pode constituir uma alternativa
para o desenvolvimento da região Nordeste do Brasil.
•
Aumenta a produção de fármacos- A produção de fármacos em plantas e animais geneticamente
modificados desponta como um campo imenso de fertilidade. “Nos Estados Unidos,
existem no mercado ou em fase final de teste mais de 300 fármacos produzidos
com o uso da engenharia genética. A grande maioria tem sido produzido em
bactérias, leveduras ou células animais” (ARAGÃO, 2004, p.35). O objetivo
principal da pesquisa é reduzir os custos da produção e aumentar a segurança do
consumidor. A EMBRAPA analisa a síntese de proteínas de interesse farmacológico
como o hormônio do crescimento humano, insulina, interferon-beta e o fator
aintihemolítico (usados no tratamento da leucemia) dentre outros anticorpos
produzidos por bactérias, sementes de leguminosas ou em animais usados como
biorreatores.
•
Aumento do potencial nutricional dos alimentos- A engenharia genética tem se
preocupado com a questão da desnutrição no planeta. Dessa forma, tem modificado
plantas para produzirem uma maior concentração de vitaminas (A, C e E) e
aminoácidos essenciais, da mesma forma que retira fatores como o myo-inosito
hexakisfosfato que retira importantes elementos para a nutrição como o cálcio,
ferro e fósforo.
• Alta resistência as pragas- As pesquisas
tem mostrado uma evolução significativa nesse campo. As principais estratégias
buscam a produção de proteínas hidrolíticas, proteínas dos patógenos, proteínas
antimicrobianas, cuja finalidade é aumentar a resistência de animais e vegetais
(banana, soja e alface) à ação de pragas que infestam as lavouras e os animais
de corte.
Redução do uso de agrotóxicos- O Brasil
está entre os três maiores consumidores de agrotóxicos do mundo. A medida que
se produz plantas mais resistentes a ação de pragas como insetos, formigas,
fungos e vírus, ocorre uma redução natural na utilização de agrotóxicos para
fazer a defesa da lavoura.
•
Síntese de plásticos e outros materiais- já se discute a possibilidade de se
produzir plásticos biodegradáveis a partir de polímeros de soja e fibra de
cana-de-açúcar, tendo a participação de bactérias geneticamente modificadas.
malefícios-
dentre os principais riscos mais contundentes promovidos pelos OGMs detacam-se:
• A
geração de novas pragas e plantas daninhas- a modificação das plantas poderá
levar ao surgimento de novas pragas uma vez que a nova planta passará a
produzir substâncias nutritivas diferentes que levarão ao aparecimento de novos
parasitas antes não existentes. Do mesmo modo, determinados genes podem passar
através do pólen de uma transgênica para uma filogeneticamente relacionada,
resultado numa espécie nociva ao meio ambiente. Um caso já conhecido ocorreu em
1996, quando os escoceses constataram que o pólen da uma variedade de canola
transgênica poderia ser achado em um raio de dois quilômetros. A canola
(Brasica napus) é parente de uma erva daninha, a Brasica campestris, e as duas
espécies cruzam com certa facilidade.
• Danos a espécies não-alvos- através do
transporte do pólen pelo vento, água, insetos, aves, poderá ocorrer a
contaminação de plantações não transgênicas (nativas) com os genes das
modificadas, levando a uma chamada poluição genética. No México, DNAs do milho
transgênico foi encontrado nas plantações, mesmo com a proibição desses
produtos no país de origem desse cereal.
• Alteração da dinâmica dos ecossistemas-
a introdução de uma nova espécie em um meio e as monoculturas podem levar ao
desaparecimento de outras espécies da cadeia alimentar que utilizavam o meio
natural para a alimentação e reprodução.
•
Produção de substâncias tóxicas- isto pode ocorrer após a degradação incompleta
de produtos químicos perigosos codificados pelos genes modificados.
•
Perda da biodiversidade- a manipulação de genes poderá propiciar o aparecimento
de novas espécies melhores adaptadas ao meio ambiente. Isto poderá levar ao
desaparecimento de espécies mais frágeis em relação à adaptação ao meio
ambiente, através de uma seleção “natural”.
REFERENCIAS
ALVES, G. S.. A BIOTECNOLOGIA DOS TRANSGÊNICOS: PRECAUÇÃO É A PALAVRA DE ORDEM; HOLOS,
Ano 20, outubro/2004.
Rodrigo Legrazie de Farias – BIOTECNOLOGIA E O DESAFIO DA SUSTENTABILIDADE NA PRODUÇÃO AGRÍCOLA
Revista Complexus Faculdade de Engenharia e Arquitetura – CEUNSP, SALTO/SP,
ano. 02, n. 4, p. 1-24, setembro de 2011. disponível em: www.engenho
